O tal Vitória que, tal como afirma Paulo Sérgio, é de duas caras e que hoje esteve bem mais próximo daquele que encantou frente a Benfica e Sporting do que daquele que envergonhou na larga maioria dos jogos esta temporada. Síndrome dos jogos mediáticos? Predilecção especial de jogadores em final de contrato? Ou apenas
coincidência?
A verdade é que a primeira parte do Vitória voltou a ser de excelente nível. Sempre com
Desmarets a empurrar a equipa e com um caudal ofensivo de impor respeito, o Vitória sufocou os
arsenalistas e apenas se tem de lamentar pelo facto de ter concretizado apenas uma das quatro ocasiões de golo que teve em praticamente meia hora. Foi, sem dúvida, um Vitória demasiado forte que terá surpreendido o Braga. O golo de
Desmarets - pela sua excelência - foi a cereja ideal num bolo de fabrico requintado.
Mas talvez seja justo, ainda antes das "críticas" elogiar o treinador vitoriano. Talvez agrade pouco a ideia de, com dois defesas esquerdos no plantel, se optar por adaptações mas, ainda assim, a de hoje foi feliz. Com Sereno na esquerda, o Vitória ganhou segurança defensiva e ganhou igualmente quem fechasse ao centro, diante de um Braga que se sabia jogar com dois avançados. Excelente opção. No restante da equipa, nenhuma alteração surpreendente.
Mas voltando ao jogo. Claro que era previsível que, uma vez mais, o Vitória não fosse capaz de manter o ritmo que imprimiu no primeiro tempo. Contudo, era pouco desejável que, para além de não o manter, fosse capaz de o baixar de forma tão abrupta. Na etapa
complementar, o Vitória cedo concedeu o controlo do jogo ao Braga e, mais do que isso, foi recuando as suas linhas e com isso convidando o Braga a atacar. Se os de Braga conseguiram grandes ocasiões de golo? Não, de facto não. Mas ainda assim, o Vitória sujeitou-se a um "sofrimento" desnecessário.
Mais ainda, quando teve em jogo um árbitro sempre desejoso de inclinar o campo, com um critério disciplinar disparatado e que foi amarelando unidades fulcrais na estratégia do Vitória (Flávio, Sereno, Moreno e Nuno Assis) e perdoando vários cartões aos homens de Braga. Chegou a ser vergonhosa a forma como Duarte Gomes fez vista grossa a situações passíveis de acção disciplinar para os bracarenses (Paulo César e Hugo Viana, por exemplo). E há ainda uma mão na área do Braga a pedir segunda análise...
Porém, e além da diminuição de ritmo da equipa e da "inclinação" do campo potenciada por Duarte Gomes, também é justo dizer que o treinador do Vitória não foi lesto a mexer na equipa. Percebia-se que o Vitória tinha várias unidades em
sub-rendimento, outras amareladas mas, nem por isso, Paulo Sérgio foi rápido a mexer no onze e a dar um sinal claro para a equipa acordar.
O que é certo, é que mesmo com alguns destes aspectos, o Braga nunca foi capaz de criar verdadeiras situações de perigo e até foi o Vitória que, em ataques rápidos, esteve perto de marcar. Se um curto resumo do jogo se quisesse fazer, bem se poderia dizer que na primeira parte o Vitória foi muito melhor do que o Braga e, na etapa
complementar, o Braga terá sido apenas melhor do que o Vitória, mesmo que tenha ficado evidente a diferença entre um Braga que não foi capaz de responder ao poderio avassalador do Vitória e um Vitória que deu, claramente, o controlo do jogo aos visitantes.
Em suma, triunfo inteiramente justo do Vitória diante do Braga e que poderia até ter sido traduzido noutros números caso o Vitória tivesse aproveitado melhor as ocasiões de golo do primeiro tempo. Espera-se é que o Vitória se apresente, nos próximos jogos, definitivamente com a "cara" de hoje e assim seja capaz de subir na tabela. O próximo jogo do campeonato é em Olhão, mas pelo meio há ainda Setúbal (Taça da Liga) e Benfica (Taça de Portugal).
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Desmarets - Que jogo! Capacidade física
impressionante e um golo
extraordinário, de primeira, depois de um cruzamento de Nuno Assis. Parece um jogador talhado para estar em fim de contrato. A verdade é que hoje jogou e fez jogar, quer em termos defensivos, quer em termos ofensivos. Veja o golo,
aqui.
Targino - As virtudes e os defeitos que lhe são conhecidos. Em velocidade ninguém o consegue parar e é um agitador de jogo por excelência. O problema está mesmo no último passe, no cruzamento ou no remate. A verdade é que, mesmo com algumas lacunas, consegue ser dos mais irreverentes e também por isso dos mais incómodos para o adversário.
Sereno - Muito importante na manobra defensiva da equipa. Quer a anular o lado direito do Braga, quer na "presença" de área que deu sempre que foi chamado a fechar ao centro. Uma aposta feliz de Paulo Sérgio.
Público - 17751 espectadores e um apoio determinante no triunfo desta noite.
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Vitória na 2ª parte - E aqui englobo a diferença abismal de ritmo de uma parte para a outra, o recuo no terreno cedo demais e alguma apatia de Paulo Sérgio na altura de mexer na equipa. Hoje não comprometeu mas...